Transferência de embriões na FIV: como funciona e quantidade permitida

Dra. Sílvia Joly Mattos –

Antes de dar início ao tratamento de Fertilização in Vitro, costumo explicar muito bem às minhas pacientes como funciona todo o processo da FIV. Acho isso muito importante para que elas compreendam cada etapa do tratamento. Basicamente são quatro etapas: estimulação ovariana, captação dos óvulos, fecundação dos óvulos in vitro e transferência dos embriões para o útero da mulher.

A transferência dos embriões é o assunto que quero destacar dessa vez. Após o processo de fertilização, a partir do terceiro dia, um embrião considerado saudável já tem cerca de oito células iguais, e no quinto dia, centenas de células diferenciadas, passando a ser considerado um blastocisto. É justamente nessa fase de blastocisto que em uma gestação espontânea o embrião migra para o útero aonde irá de fixar. Na maioria das clínicas de Reprodução Humana, atualmente, tanto a transferência para o útero como o congelamento do embrião, é realizada no quinto dia após a fertilização.

No entanto, antes de fazer a transferência, alguns critérios têm que ser levados em consideração: qualidade e quantidade dos embriões formados, idade da paciente, cirurgias uterinas, malformações uterinas, número de tentativas anteriores, questões emocionais e histórico de tratamento.

Em relação à qualidade dos embriões, nem todos evoluem como o esperado após a fertilização. Por isso, avalia-se a qualidade morfológica embrionária, e normalmente são transferidos primeiro aqueles embriões que possuem mais chances de se desenvolver.
Quanto à idade da paciente, o Conselho Federal de Medicina determina um limite de embriões que podem ser transferidos de acordo com a idade da mulher em relação à data da coleta de óvulos. Para mulheres até 35 anos: 2 embriões; entre 36 e 39 anos: até 3 embriões e 40 anos ou mais: até 4 embriões.

A transferência de embriões pode ser feita tanto a fresco ou quando há congelamento (criopreservação). A transferência a fresco é a realização do procedimento sequencialmente às etapas anteriores da FIV, enquanto no congelamento os embriões ficam guardados até o momento em que o casal desejar transferir.

Dra. Silvia Joly Mattos é médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia formada pela Unicamp e especialista em Reprodução Humana pelo Projeto Alfa

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