Ginecologia e Obstetrícia

Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos

Dra. Sílvia Joly Mattos

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um tema que já abordei aqui, porém, depois de perceber que principalmente as pacientes jovens e adolescentes têm muitas dúvidas sobre o assunto, resolvi colocar a SOP em pauta novamente, desta vez focando no esclarecimento do que é essa síndrome, os sintomas e os possíveis tratamentos. A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma disfunção hormonal comum em mulheres em idade reprodutiva, podendo afetar até 16% das pacientes.

Existem sinais clássicos de mulheres portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos. Um deles é o quadro de anovulação crônica, que se manifesta através de irregularidades no ciclo menstrual; outro é o hiperandrogenismo em diferentes graus, que pode se manifestar por alterações clínicas ou laboratoriais (alteração da dosagem ou relação entre os hormônios). Podem ser sinais clínicos de hiperandrogenismo: acne, queda de cabelos, aumento de pilificação no corpo, etc.

A SOP pode levar à formação de cistos nos ovários, que fazem com que eles aumentem de tamanho e tenham aspecto multifolicular. Entretanto, é importante ressaltar que nem todas as mulheres com ovários multifoliculares ao ultrassom (antigamente chamados de “policísticos”) têm a SOP. Esse conceito é frequentemente assunto de muitas consultas e dúvida frequente de muitas pacientes.

Como sua causa não pôde ainda ser esclarecida totalmente, estudos apontam que a SOP pode ter origem genética ou mesmo estar ligada a fatores metabólicos adquiridos ou distúrbios endocrinológicos hereditários.

Em reação aos fatores endócrinos, o hiperandrogenismo é explicado pela secreção aumentada de LH (hormônio luteinizante) que resulta na hiperatividade das células responsáveis por produzir o androgênio (testosterona). Já no caso de origem genética, estudos apontam que quando comparados genes no tecido ovariano de mulheres normais com mulheres portadoras de SOP, esses apresentam padrões diferentes, com desregulação de genes ligadas a vários processos biológicos.

O diagnóstico da SOP é quase sempre clínico, mas em alguns casos podem ser solicitados exames ultrassonográficos e laboratoriais, principalmente para descartar outras doenças.

Já o tratamento dependerá dos sintomas da paciente. Em geral, no entanto, indicamos anticoncepcionais orais para pacientes que não querem engravidar. E para as pacientes que desejam uma gestação, em alguns casos, precisamos fazer a indução da ovulação com medicamentos orais ou injetáveis, já que nem sempre essas pacientes ovulam regularmente.

Dra. Sílvia Joly Mattos, de Campinas/SP, é médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Reprodução Humana e Vídeo-Histeroscopia.
Fonte: FREBASGO – Manual de Orientação de Reprodução Humana.