FertilidadeGinecologia e ObstetríciaInfertilidadeReprodução AssistidaReprodução Humana

Disfunções da tireoide e infertilidade

Disfunção Tireoidiana e infertilidade

Dra. Silvia Joly Mattos

Quando a mulher tem dificuldades para engravidar naturalmente, ou se já aconteceram abortos naturais, é recomendado que ela faça uma investigação para descobrir as possíveis causas. Uma das causas de infertilidade mais fáceis de serem tratadas são as disfunções da tireoide, a glândula responsável pela liberação de hormônios relacionados ao metabolismo e ao ciclo reprodutivo. As disfunções relacionadas à tireoide são o hipotireoidismo, hipertireoidismo e a produção irregular de alguns anticorpos.

No caso de mulheres com hipotireoidismo, a dificuldade de engravidar se dá pela não liberação ou liberação irregular do óvulo maduro. Isso ocorre devido à irregularidade na produção dos hormônios responsáveis pelo processo de ovulação. Alguns dos sintomas dessa alteração na tireoide podem ser: ganho de peso, fluxo menstrual alterado, diminuição do apetite, sono, fadiga e problemas cognitivos, entre outros. Existe também uma variação do hipotireoidismo, o hipotireoidismo subclínico, caracterizado por alterações hormonais discretas e sintomas sutis, como cansaço e interferência na fase lútea.

Já nas pacientes com hipertireoidismo, os hormônios produzidos pela tireoide são excessivos, aumentando assim o metabolismo e resultando na irregularidade dos ciclos menstruais, com a ovulação fora do período correto. No entanto, independentemente do tipo de alteração na tireoide, o processo de reprodução é afetado nas duas situações, pois para que a ovulação seja favorável e a permanência do embrião no útero seja garantida os hormônios devem atuar em total equilíbrio.

Essas alterações tireoidianas que afetam a fertilidade podem ser identificadas facilmente por meio de exames de sangue que medem os níveis de hormônios secretados pela tireoide, em especial o TSH – hormônio que estimula a tireoide. Podemos ainda pedir um exame de sangue que verifica a presença de anticorpos antitireoide, que pode detectar doenças autoimunes onde anticorpos são formados para atacar as células da tireoide, diminuindo assim a produção de hormônio pela glândula.

É muito importante salientar que os níveis de TSH desejados para uma paciente com infertilidade ou aborto recorrente são diferentes dos níveis esperados para mulheres sem esse tipo de diagnóstico.

O tratamento de pacientes com hipertireoidismo é feito com medicamentos que diminuem a produção de hormônios, enquanto para pacientes com hipotireoidismo usamos medicamentos que estimulam a produção dos hormônios.

Dra. Sílvia Joly Mattos, de Campinas/SP, é médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Reprodução Humana e Vídeo-Histeroscopia.